Comentário de Evandro Affonso Ferreira

O escritor brasileiro Evandro Affonso Ferreira assina o prefácio ao O Livro das Aproximações.

“O personagem do livro de Guilhoto é a própria palavra. Sensação ad introitum: o autor vai clicando palavras para vivificar frases que fotografam o fazer-livro, o arquitetar-cidade, o elaborar-páginas, o tecer momento – a despeito de seu narrador, debater-se num oceano de dúvidas, por assim dizer, ao querer distinguir as coordenadas do tempo – as questões agostinianas.”

Para ler aqui.

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O Livro das Aproximações

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Estreia do escritor português João Guilhoto, O Livro das Aproximações elabora com precisão matemática o sofrimento e o desamparo humanos. As sombras iluminadoras que o autor projeta no silêncio das palavras o assemelham a Kafka, Walser e Musil, em toda a sua consciência da banalidade da vida contraposta às infinitas possibilidades do eterno da literatura. O apuro linguístico e filosófico da narrativa faz suspeitar que o livro já nasce um clássico, impressão reforçada por Evandro Affonso Ferreira para quem “as palavras dele são feitas para durar, não se deformam com as puerilidade do efêmero, não caminham subservientes pari passu com a própria época ou moda”.